Edson Brito Silva*
Para pensarmos o contexto do
espaço-tempo da escola como espaço definido para uma perspectiva do ensino à
distância precisou-se de um lado, na primeira realidade, descontruir a escola;
hoje apresentada como uma simulação de espaço disciplinar, quase, senão, uma
representação de recursão, pois, temos nossas salas de aula de barro, portas estreitas (já
percebemos isso, portas estreitas?), janelas, normalmente acima dos ombros dos
alunos, não motivadora para a visão externa, cadeiras enfileiradas... etc. Temos
que desconstruir conceitualmente esse
espaço. E um tempo de máxima permanência do aluno-preso em sala. Alunos
enjaulados sem tempo para pensar. Hummmm. Um bom aluno cidadão! Temos que mudar
esse paradigma de tempo-aluno.
Temos aí um problema posto,
essa realidade.
Chegou-se o advento do bojo
das tecnologias em todas as áreas humanas, e por último, à Escola e na escola,
em grande descompasso, mas chegaram. Como tudo que é novo, mesmo não sendo tão
nova, a escola foi encampada, e não encampou no primeiro momento, não lhes
deixaram, a revelia de uma irrigação
tecnológica antecipada. Ela, a escola, teve
que ser encampada, sem muitas vezes ser preparada para isso; e a escola
aqui, falo enquanto espaço do aluno, do professor, dos pais, da comunidade, da
sociedade, e não uma ferramenta do Estado para a instrução-instrumentação no espaço-tempo.
Com a escola antiga, salas-prisão e a escola
encampada, escola-atualizada,
apresentou-se uma discrepância tremenda, que nenhum oráculo do pensamento
educacional até então tinha pensado. Ou tinham? Tinham-se porque a Escola
foi a última realidade a ser encampada nas novas tecnologias? Mas, houve uma
saída. E não quero dizer que essa saída foi em resposta a esse distanciamento,
mas vejo como uma necessidade surgida e de preenchimento lacunar na realidade
educacional – o Ensino a Distância – que por um lado faz uso das novas
tecnologias, se apropriando delas, atualizando-as para adequar-se aos objetivos
desta modalidade de ensino; em gritante paradoxo com a escola-prisão e o tempo-engessado.
Como não houve o rito de passagem, a escola agora precisa
ajustar-se (não vejo outra palavra, ainda) a essa nova realidade. E mais uma
vez, me parece, que no primeiro momento foi pensando a escola espaço-tempo,
instrumentalizando o equipamento do Estado com as novas ferramentas, mas, me
parece, faltou combinar, associar-se, debater, sentir os alunos, professores, pais e a comunidade, e, me desculpem:
deixem fora os gestores, pois
esses, com raras exceções são um desserviço para a educação. Criou-se assim um
descompasso no sistema escolar: a escola agora, mesmo precariamente
instrumentada, com novas tecnologias, mas professores com salas de aulas
lotadas, desconfortos térmicas, acusticamente prejudicadas, alunos
desmotivados, pais descomprometidos com a educação dos seus filhos, professores
não retidos e remunerados insatisfatoriamente, verbas públicas não suficientes
(as chegadas, lógico)... etc.
Poderíamos elencar uma série de situações que
fazem com que o pensar sobre a sala de aula e o espaço-tempo possa ser não só debatido pela perspectiva do
professor, nossa lente de fundo da abordagem, mas efetivamente implementa uma
mudança estrutural e estruturante da escola enquanto espaço onde dar-se a
relação do ensino-aprendizagem, seja em sala de barro e carteiras de madeiras, ou salas virtuais, que em uma ou em
outro, tem a presença do professor como figura ímpar na relação do aluno com os
conteúdos.
Vejo então, finalizando, as
salas de aula em descompasso com as novas tecnologias, o ensino à distância
como uma via própria, mas associativa com a escola de barro, e uma necessidade de fazer uma revolução na educação, e
neste contexto, uma revolução de conceito e status do professorado. Ser ele o
canalizador, mediador, facilitador da relação ensino-aprendizado, seja nas
salas de barro, nas salas virtuais ou/e nas salas redefinidas – físicas e
tecnológicas.
Agosto/2013
·
Professor de
Filosofia no Ensino Médio, aluno do curso de especialização em Fundamentos da
Educação – Práticas Pedagógicas Interdisciplinares, pela UEPB – 2013.