terça-feira, 27 de agosto de 2013

Salas de barro, salas virtuais e salas redefinidas – físicas e tecnológicas



Edson Brito Silva*

Para pensarmos o contexto do espaço-tempo da escola como espaço definido para uma perspectiva do ensino à distância precisou-se de um lado, na primeira realidade, descontruir a escola; hoje apresentada como uma simulação de espaço disciplinar, quase, senão, uma representação de recursão, pois, temos nossas salas de aula de barro, portas estreitas (já percebemos isso, portas estreitas?), janelas, normalmente acima dos ombros dos alunos, não motivadora para a visão externa, cadeiras enfileiradas... etc. Temos que desconstruir  conceitualmente esse espaço. E um tempo de máxima permanência do aluno-preso em sala. Alunos enjaulados sem tempo para pensar. Hummmm. Um bom aluno cidadão! Temos que mudar esse paradigma de tempo-aluno.

Temos aí um problema posto, essa realidade.
Chegou-se o advento do bojo das tecnologias em todas as áreas humanas, e por último, à Escola e na escola, em grande descompasso, mas chegaram. Como tudo que é novo, mesmo não sendo tão nova, a escola foi encampada, e não encampou no primeiro momento, não lhes deixaram, a revelia de uma irrigação tecnológica antecipada. Ela, a escola, teve que ser encampada, sem muitas vezes ser preparada para isso; e a escola aqui, falo enquanto espaço do aluno, do professor, dos pais, da comunidade, da sociedade, e não uma ferramenta do Estado para a instrução-instrumentação no espaço-tempo.

Com a escola antiga, salas-prisão e a escola encampada, escola-atualizada, apresentou-se uma discrepância tremenda, que nenhum oráculo do pensamento educacional até então tinha pensado. Ou tinham? Tinham-se porque a Escola foi a última realidade a ser encampada nas novas tecnologias? Mas, houve uma saída. E não quero dizer que essa saída foi em resposta a esse distanciamento, mas vejo como uma necessidade surgida e de preenchimento lacunar na realidade educacional – o Ensino a Distância – que por um lado faz uso das novas tecnologias, se apropriando delas, atualizando-as para adequar-se aos objetivos desta modalidade de ensino; em gritante paradoxo com a escola-prisão e o tempo-engessado.

Como não houve o rito de passagem, a escola agora precisa ajustar-se (não vejo outra palavra, ainda) a essa nova realidade. E mais uma vez, me parece, que no primeiro momento foi pensando a escola espaço-tempo, instrumentalizando o equipamento do Estado com as novas ferramentas, mas, me parece, faltou combinar, associar-se, debater, sentir os alunos, professores, pais e a comunidade, e, me desculpem: deixem fora os gestores, pois esses, com raras exceções são um desserviço para a educação. Criou-se assim um descompasso no sistema escolar: a escola agora, mesmo precariamente instrumentada, com novas tecnologias, mas professores com salas de aulas lotadas, desconfortos térmicas, acusticamente prejudicadas, alunos desmotivados, pais descomprometidos com a educação dos seus filhos, professores não retidos e remunerados insatisfatoriamente, verbas públicas não suficientes (as chegadas, lógico)... etc.
Poderíamos elencar uma série de situações que fazem com que o pensar sobre a sala de aula e o espaço-tempo possa ser não só debatido pela perspectiva do professor, nossa lente de fundo da abordagem, mas efetivamente implementa uma mudança estrutural e estruturante da escola enquanto espaço onde dar-se a relação do ensino-aprendizagem, seja em sala de barro e carteiras de madeiras, ou salas virtuais, que em uma ou em outro, tem a presença do professor como figura ímpar na relação do aluno com os conteúdos.

Vejo então, finalizando, as salas de aula em descompasso com as novas tecnologias, o ensino à distância como uma via própria, mas associativa com a escola de barro, e uma necessidade de fazer uma revolução na educação, e neste contexto, uma revolução de conceito e status do professorado. Ser ele o canalizador, mediador, facilitador da relação ensino-aprendizado, seja nas salas de barro, nas salas virtuais ou/e nas salas redefinidas – físicas e tecnológicas.

Agosto/2013

·         Professor de Filosofia no Ensino Médio, aluno do curso de especialização em Fundamentos da Educação – Práticas Pedagógicas Interdisciplinares, pela UEPB – 2013.

domingo, 11 de agosto de 2013

O computador vai substituir o professor?



O computador vai substituir o professor?
Prof. Edson Brito Silva
Esse questionar é provocativo?  Ele nos permite termos alguma dúvida? Nós traz alguma insegurança pedagógicas? Ficamos inseguros?
A mim não provoca nenhum questionamento, por mais que seja assustadores as novas ferramentas da tecnologia surgente. Poderíamos  elencar aqui um 'rosário' de argumentações que fundamentaria o meu pensamento, mas evoco  o insigne e sempre mestre da educação Paulo Freire, e mais especificamente sua  obras Pedagogia da Autonomia - Saberes necessários à prática educativa, no capitulo III, onde ele é muito preciso e agudo na fundamentação, quando intitula: "Ensinar é uma especificidade humana", e mais pontual  no item 3.5 - "Ensinar exige tomada consciente de decisões"
Se o processo de educar e dialógico e relacional, que requer uma intervenção de ser-a-ser, requerendo uma conscientização para o agir no educando. Como poderia uma máquina, que por mais sofisticada, de altíssima precisão de programação, dialogar, interagir, direcionar, redirecionar as ações conforme cada momento e cada educando no seu momento?
Não, a máquina, seja computador, nem mesmo uma imaginária criação de androides, fará a função de um Educador, e por tabela do Professor (faço uma distinção aqui de educador e professor).
Faço das palavras do mestre, as minhas: Ensinar é uma especificidade humana. Nada substitui esse fenômeno potencialmente humano, Humano, Demasiado Humano.*
(*) Humano, demasiado humano, um livro para espíritos livres. Primeira obra de Friedrich Nietzsche, filósofo alemão.
Nada substitui o Professor, mesmo que ele não seja um Educador.


Campina Grande, PB
Junho - 2013