quarta-feira, 8 de abril de 2015



Salas de barro, salas virtuais e salas redefinidas – físicas e tecnológicas.

Edson Brito Silva*

Para pensarmos o contexto do espaço-tempo da escola como espaço definido para uma perspectiva do ensino à distância precisou-se de um lado, na primeira realidade, descontruir a escola; hoje apresentada como uma simulação de espaço disciplinar, quase, senão, uma representação de recursão, pois, temos nossas salas de aula de barro, portas estreitas (já percebemos isso, portas estreitas?), janelas, normalmente acima dos ombros dos alunos, não motivadora para a visão externa, cadeiras enfileiradas... etc. Temos que desconstruir  conceitualmente esse espaço. E um tempo de máxima permanência do aluno-preso em sala. Alunos enjaulados sem tempo para pensar. Hummmm. Um bom aluno cidadão! Temos que mudar esse paradigma de tempo-aluno.

Temos aí um problema posto, essa realidade.
Chegou-se o advento do bojo das tecnologias em todas as áreas humanas, e por último, à Escola e na escola, em grande descompasso, mas chegaram. Como tudo que é novo, mesmo não sendo tão nova, a escola foi encampada, e não encampou no primeiro momento, não lhes deixaram, a revelia de uma irrigação tecnológica antecipada. Ela, a escola, teve que ser encampada, sem muitas vezes ser preparada para isso; e a escola aqui, falo enquanto espaço do aluno, do professor, dos pais, da comunidade, da sociedade, e não uma ferramenta do Estado para a instrução-instrumentação no espaço-tempo.

Com a escola antiga, salas-prisão e a escola encampada, escola-atualizada, apresentou-se uma discrepância tremenda, que nenhum oráculo do pensamento educacional até então tinha pensado. Ou tinham? Tinham-se porque a Escola foi a última realidade a ser encampada nas novas tecnologias? Mas, houve uma saída. E não quero dizer que essa saída foi em resposta a esse distanciamento, mas vejo como uma necessidade surgida e de preenchimento lacunar na realidade educacional – o Ensino a Distância – que por um lado faz uso das novas tecnologias, se apropriando delas, atualizando-as para adequar-se aos objetivos desta modalidade de ensino; em gritante paradoxo com a escola-prisão e o tempo-engessado.

Como não houve o rito de passagem, a escola agora precisa ajustar-se (não vejo outra palavra, ainda) a essa nova realidade. E mais uma vez, me parece, que no primeiro momento foi pensando a escola espaço-tempo, instrumentalizando o equipamento do Estado com as novas ferramentas, mas, me parece, faltou combinar, associar-se, debater, sentir os alunos, professores, pais e a comunidade, e, me desculpem: deixem fora os gestores, pois esses, com raras exceções são um desserviço para a educação. Criou-se assim um descompasso no sistema escolar: a escola agora, mesmo precariamente instrumentada, com novas tecnologias, mas professores com salas de aulas lotadas, desconfortos térmicas, acusticamente prejudicadas, alunos desmotivados, pais descomprometidos com a educação dos seus filhos, professores não retidos e remunerados insatisfatoriamente, verbas públicas não suficientes (as chegadas, lógico)... etc.
Poderíamos elencar uma série de situações que fazem com que o pensar sobre a sala de aula e o espaço-tempo possa ser não só debatido pela perspectiva do professor, nossa lente de fundo da abordagem, mas efetivamente implementa uma mudança estrutural e estruturante da escola enquanto espaço onde dar-se a relação do ensino-aprendizagem, seja em sala de barro e carteiras de madeiras, ou salas virtuais, que em uma ou em outro, tem a presença do professor como figura ímpar na relação do aluno com os conteúdos.

Vejo então, finalizando, as salas de aula em descompasso com as novas tecnologias, o ensino à distância como uma via própria, mas associativa com a escola de barro, e uma necessidade de fazer uma revolução na educação, e neste contexto, uma revolução de conceito e status do professorado. Ser ele o canalizador, mediador, facilitador da relação ensino-aprendizado, seja nas salas de barro, nas salas virtuais ou/e nas salas redefinidas – físicas e tecnológicas.


·        Professor de Filosofia no Ensino Médio, aluno do curso de especialização em Fundamentos da Educação – Práticas Pedagógicas Interdisciplinares, pela UEPB – 2013.





terça-feira, 24 de fevereiro de 2015



Mod. IV: Comunicação e Linguagem  - Fórum II Semana
Temática:  Texto e discurso
Texto básico provocativo: Texto e discurso: limites e convergências.  – Elisa Guimarães


O Discurso de e para
Edson Brito Silva*

            Sendo o discurso um desdobrar do sujeito subjetivo com sua intencionalidade, que se apropria do texto para alojar seu pensamento, sempre com uma intencionalidade, seja ela, de preservar, marcar – como elemento de apropriação ‘egoística’; seja com a (ou uma) intencionalidade de fazer-se percebido, ser olhado, analisando, ‘dialetizado’, temos o sujeito ideológico, que irá concretizar o discurso em uma formalidade textual. Todo o caminho percorrido está permeado de uma imanência, de um sentido, de uma ‘aura’ que só, muitas vezes, o autor sabe no seu texto, qual era a contexto e para que pretexto – diga-se os poetas. É o sujeito imanente que se desvela ao mundo com suas elucubrações textual.
                Mas, uma vez 'textualizado' sua ideologia, essa imanência será desapropriada pela hermenêutica , quando outrem se apodera do texto e se apropria d do contexto – do discurso – que não mais será do autor, mas sim, aquele que buscou no autor sua iminência, e nessa busca fazer ele, o leitor, a leitura que lhe convier conforme sua subjetividade, sua ideologia, sua relação com o texto e seus signos, cabendo agora, somente aquele que ler, e não mais a ninguém se apropriar do discurso, não mais cabendo ai, pela ótica de quem lê, a imanência daquele que escreveu, mas só, e somente só, da hermenêutica de quem se apropriou, como leitor, do escrito.
                Essa tensão traz a tona uma problematização: análise do discurso da imanência (escritor) ou análise do discurso da hermenêutica (leitor). Quem sai desse labirinto e a poesia e suas ‘licenças poética’. A poesia é independente: uma vez feita, ela é uma entidade, filosoficamente, é um Ser. Encerra-se em si mesma.
Agosto/2013.
          Professor de Filosofia no Ensino Médio, aluno do curso de especialização em Fundamentos da Educação – Práticas Pedagógicas Interdisciplinares, pela UEPB – 2013.